No fim de Setembro anunciei nas minhas páginas pessoais que estava retornando ao Brasil e desistindo de morar no Reino Unido a longo prazo, e assim deixando de lado o meu plano prévio de prosseguir com a minha carreira médica no NHS, o que foi uma surpresa para muitos de meus amigos pessoais e das pessoas que me seguiam por conta deste site. Venho por meio dessa postagem então colocar no “papel” algumas reflexões que tive durante este ano, alguma das coisas que li sobre o assunto de imigração e que me levaram a tomar essa decisão que para alguns pode soar um pouco drástica ou como uma surpresa, mas que para mim hoje significa claramente a melhor opção a longo prazo. 

Para resumir algo vou destrinchar nessa postagem, eu retornei (apesar de outros aspectos menores), por conta do entendimento de que eu queria crescer próximo à minha família. Este motivo por si só foi suficiente para justificar todo o meu retorno.

Muitas pessoas têm me perguntado porque eu decidi voltar, e percebo em muitas destas perguntas um certo receio embutido com relação a quais foram as razões para minha decisão. “Isso deveria afetar a a minha escolha também?”. Gostaria de adiantar dizendo que a minha decisão foi tomada por motivações pessoais, e que a nível profissional as minhas expectativas com relação à carreira médica no UK foram em grande alcançadas, assim como com relação à “qualidade de vida”. O que ocorre é que a percepção quanto à qualidade de vida é muito pessoal e a interpretação de todos aspectos que morar em outro país trás passa por um filtro muito grande (que é a sua experiência prévia), suas prioridades a longo prazo e o que você considera como importante na sua vida. Então por mais que você leia, se informe e absorva com relação à experiência de outras pessoas, a sua experiência pessoal vai ser única a você. Por mais redundante que isso soe, é bem importante frisar essa informação.

OBS: Vou tentar ao máximo não expor muito a minha vida pessoal. Ao mesmo tempo espere que o relato que eu apresente aqui seja fortemente influenciado por minhas experiências e reflitam, portanto, a minha opinião. Interprete essas informações da maneira que quiser, e espero que a minha experiência (assim com tudo que já relatei) possa ajudar você a tomar a sua decisão de uma forma consciente. Seja para emigrar para o UK ou para decidir ficar (ou retornar) no Brasil.

OBS2: Eu sempre tive um pouco de receio com a publicação desse site no sentido de inadvertidamente “estimular” a emigração de médicos brasileiros para o UK. A nível de saúde pública, há quem diga que isso constitui um problema e de certa forma eu me responsabilizo por isso um pouco. Na verdade, procuro sempre passar uma impressão “não-fantasiosa” do que é morar em outro país. Continuo então tentando propagar o máximo de informações possíveis para fornecer instrumentos para você analisar a sua situação e o que você acredita que irá te beneficiar a longo prazo.

Motivos que me levaram a RETORNAR ao Brasil 

“Me perdoe a intromissão, mas porque você voltou ao Brasil?”. Recebi essa pergunta de dezenas de pessoas que acredito se dividirem em dois grupos. Uns que se preocupam comigo, pessoalmente falando, e esperam que tudo esteja bem, e que questionam o que tenha me levado a tomar uma decisão que vai de encontro ao que procurei durante um período longo. Outras, em processo de revalidação ou planejando a revalidação, se preocupam em entender o que me levou a desistir de morar no UK talvez por medo que o mesmo possa acontecer com eles. Se morar fora fosse tão bom, ou valesse a pena definitivamente, porque eu voltaria? A verdade é que a questão é bastante simples. Eu voltei para o Brasil porque eu não queria morar no UK à longo prazo. Dado o tempo que levei para refletir (e pesquisar) sobre essas questões, consigo determinar esses aspectos e vou tentar descrevê-los abaixo: 

  • Família: a distância familiar é simplesmente intrínseca à emigração. Salvo casos de pessoas com família (pais, tios, primos) morando em outro país, a maior parte dos brasileiros imigrantes irão se distanciar de seus familiares quando morando em outro país. É verdade que com relação a este aspecto, cada indivíduo irá experienciar essa distância de forma diferente. Se você já morava em outro Estado que o de seus pais, essa adaptação será mais fácil (e até natural). Se você ainda morava na casa de seus pais, isso será mais difícil. Existem estratégias para reduzir essa distância, conhecidamente Whatsapp/Facetime e visitas regulares, no entanto é muito importante frisar que essas são apenas formas de contornar uma situação que é inevitável e para qual não há solução. A pessoa que decide morar em outro país precisa aceitar o fato de que crescerá em maior distância de sua família. Para algumas pessoas isto é negociável, para outras não. Li muito sobre esse assunto na internet e a conclusão que encontrei ao ler diversos relatos é que esse distanciamento aumenta com o tempo de forma progressiva, e isso é parte do processo que você precisa aceitar. Você precisa decidir, e refletir, como esse preço (distanciamento da familiar) se relaciona com o que você ganha (benefícios relacionados a se mudar para o Reino Unido). E na minha opinião cada pessoa lida com essa “realização” de forma única. Sem entrar em muitos detalhes pessoais, eu decidi que para mim era mais importante crescer próximos aos meus familiares, independentemente da minha circunstância. Com relação a esse aspecto da imigração, eu costumo dizer que eu esperava que fosse difícil, e na prática foi um pouco pior.
    • OBS: No caso de pessoas com relacionamentos com estrangeiros que residem no UK, o ponto da família pode se tornar um ponto positivo. A longo prazo nossa família constitui principalmente o seu núcleo familiar, e é perfeitamente possível que esse núcleo esteja no UK, e não no Brasil. Na verdade, naturalmente a longo prazo é isso que tende a acontecer independentemente se você foi para o UK por conta de um relacionamento ou se foi “sozinho”.
  • Amigos: eu sempre imaginei que o afastamento de amizades iria ser algo secundário no meu processo de imigração e que não faria muita falta no dia-a-dia. Afinal, “ao longo da vida cada amigo segue seu caminho e etc.”. Eu continuo acreditando muito nisso. Mas se no quesito “família” eu não subestimei as dificuldades que a distância traria, no quesito “amigos” eu achei que seria muito mais fácil e percebi que no dia-a-dia a falta de uma rede de suporte teve um efeito alienante muito grande pra mim. Isso é algo que tende a se normalizar com o tempo. Mas lendo relatos de imigrantes (percebe-se que, e isso não é exclusivamente por conta da imigração mas simplesmente porque fazer amizades na vida adulta é muito diferente, algo que leitores mais velhos irão constatar) mesmo a longo prazo as vezes você não conseguirá estabelecer uma rede de suporte sólida como no seu país de origem. Novamente, emigrar significa aceitar esse fato e viver em paz com isso. E isso vai depender muito da sua realidade e de como a sua personalidade se relaciona e depende das suas amizades e as relações interpessoais que você estabelece no dia-a-dia. O que nos leva ao próximo ponto. 
  • Familiaridade com a cultura: naturalmente quão mais você se identificar com a cultura brasileira, algo que sofrerá influencia do estado em que você nasceu/mora, mais díficil será sua assimilação em outro país. Apesar de admirar a cultura britânica e achar bem interessante o estilo de vida no UK (algo que considerarei abaixo como um ponto positivo), pessoalmente falando muito da minha personalidade está relacionado à minha identificação com a minha nacionalidade. Se por um lado eu acho a vida e costumes britânicos muito interessantes, acredito que você precisa perceber que admirar é diferente de encontrar satisfação pessoal vivendo e imergindo naquela cultura (e se afastando da sua) a longo prazo. Além disso, também percebo que se em certo grau você tiver uma resistência ou incompatibilidade com os costumes brasileiros (ou simplismente do seu estado/região), o processo de emigração pode ser mais fácil para você.
  • Carreira médica diferente: Sempre tive a idéia de terminar a residência médica e posteriormente realizar uma subespecialidade, abrir um consultório e trabalhar eventualmente complementando com alguns plantões quando necessário. Imaginei que no UK teria uma oportunidade semelhante, mas na verdade a estrutura da carreira no NHS é muito diferente. Sendo um sistema de saúde pública e universal, que inclui todos os programas de residência médica, a própria carreira é delineada também para provisão de serviço. A duração da residência médica (7-8 anos para a maioria das especialidades, como no caso da minha opção) era algo que me desincentivava, no entanto sendo o salário durante todo esse período bastante satisfatório e progressivo, não constituía o maior dos problemas. Me frustrava mais o fato de que não só o residente para 8 anos em escalas de plantões noturnos e finais de semana (mesmo que com carga horária racional em termos de horário), mas quando você termina a especialidade a natureza do seu trabalho é essencialmente hospitalista. A opção de especialidades essencialmente ambulatoriais são muito limitadas no Reino Unido, sendo o GP uma das únicas, e por essa razão mesmo muitos médicos (estrangeiros e britânicos) escolhem essa carreira pela formação muito mais curta (3 anos), apesar dos estresses específicos da posição do General Practioner no NHS. Caso ficasse no UK eu adaptaria a escolha da minha carreira, considerando GP como uma escolha por exemplo, e não acredito que essa foi uma questão definidora na decisão mas certamente deve ser levada em consideração.
  • Nem lá, nem cá” – “Dupla ausência”. Essa é na minha opinião é um dos problemas mais significativos relacionados a imigração, e pessoas que não vivem essa experiência podem nunca ouvir falar sobre esse problema. Abdelmalek Sayad, uma das grandes referências na psicologia e sociologia da Imigração e Emigração, cunhou o termo “Dupla Ausência“, que envolve a combinação de não pertencimento tanto no seu país de destino, quanto ao seu país de origem. Muitas vezes o imigrante procura no seu país de destino os ícones que definem o seu país e sua cultura, e se frustra por nunca encontrá-los. Ao mesmo tempo, quando retorna ao seu país de origem, o imigrante (agora uma pessoa completamente diferente, com traços da cultura estrangeira que já são muito firmados na sua personalidade) não reconhece mais o seu próprio país como casa, tanto porque o imigrante já é uma pessoa diferente como o seu país já mudou muito. Uma pessoa que saiu do Brasil em 2010 voltaria para cá e encontraria um país completamente diferente, tanto no que se refere a cultura popular, política, e talvez até com relação a sua família. Tente imaginar o que uma pessoa que saiu do Brasil em 2005 (quando Lula ainda era Presidente, e “Festa no Apê” era o hit mais famoso na rádio) acharia ao chegar aqui em 2021. Eu tive a oportunidade de ler um dos livros de Abdelmalek Sayad, “The Suffering of the Immigrant”, um estudo bastante monótono mas muito interessante sobre psicologia da imigração (no caso ele analisa a imigração argelina na França, algo muito diferente do caso de médicos brasileiros no UK, é claro) onde ele traz, além de outras questões, o conceito de dupla ausência pela primeira vez. O mesmo autor possui outro livro com este título chamado “Dupla ausência” que você pode procurar ler se for do seu interesse.

Veja ESTA POSTAGEM NO REDDIT, por exemplo. A maior parte das respostas com relação aos problemas relacionados à imigração não falam sobre saudades de casa, ou arrependimento. Falam justamente sobre a dupla ausência e a sensação de não pertencer a lugar nenhum.

Motivos que me levariam a FICAR no UK 

  • Qualidade de vida”: Uma das grandes coisas que levam pessoas de países em desenvolvimento a emigrarem para países desenvolvidos é a “qualidade de vida”. Já adiantei que essa é uma questão muito relativa, e que na minha opinião a distância familiar e nuances da vida de um imigrante influenciam muito nisso. No entanto, no que se espera de qualidade ao morar fora muitas coisas são sim alcançadas quando se busca morar fora. A sociedade britânica oferece através do estado de bem-estar social serviços que no Brasil são inimagináveis, a moralidade da sociedade no UK (em parte) é algo que no Brasil ainda é muito raro de se encontrar, a certeza de que seus impostos são revertidos em serviços que você irá consumir, meios de transporte, opções de lazer. Todas essas coisas que muitos de nós procuramos estão realmente disponíveis ao se morar em um país como o Reino Unido. Apesar de que eu discuto se isso equivale ou não a qualidade de vida que vem com morar no seu próprio país (posteriormente discutirei sobre como essa comparação não é quantitativa), de fato esses “benefícios” existem e é algo que perdi ao retornar para o Brasil.
  • Carreira médica e valorização profissional: sem dúvidas a carreira médica oferece a oportunidade de treinar nos melhores e maiores centros do mundo. Existem vagas disponíveis e altamente realistas em grandes hospitais de Londres, e mesmo hospitais universitários das universidades de Cambridge e Oxford. Eu tive a oportunidade de trabalhar no NHS durante o surgimento da pandemia do COVID-19 e posteriormente no maior hospital da Europa. Trabalhar no UK oferece a chance de trabalhar perto daquilo que aprendemos nos guideilnes e do que está próximo do padrão-ouro. Apesar de que existem frustrações sim no dia-a-dia, principalmente por conta da natureza universal e pública do serviço (dois aspetos muito positivos mas que intrísecamente trazem problemas de underfunding e understaffing), é muito gratificante trabalhar no NHS. A carreira médica também é valorizada no sentido de termos carga horária respeitada, escala organizada com antecedência, salário caindo todo mês sem falta, aposentadoria, férias remuneradas, hora extra garantida quando necessário. Muitas pessoas perguntaram porque eu tinha voltado e eu acredito que existe um receio de que o problema seria a decepção com o trabalho médico no UK. Isso posso garantir que não foi o que ocorreu, sendo as únicas ressalvas que eu fiz com relação a carreira médica relacionadas a natureza do trabalho que eu descrevi acima.
    • OBS muito importante: Principalmente aqueles que já trabalham/trabalharam no UK vão atestar que eu não fui 100% verdadeiro quando disse que as escalas e carga horária são respeitadas. É importante ressalvar que trabalhar no UK não é uma fantasia também. Todo emprego e instituição possui imperfeições, e nenhum trabalho é mole. Você passa por estresses diários no trabalho, e muitas frustrações as vezes surgem como surpresa. Muitas vezes trabalhei com mais responsabilidade do que deveria, não recebi o suporte necessário 100% do tempo. Existem ótimos empregos no UK, e também existem péssimos empregos. É de sua responsabilidade também saber filtrar isso. A vida profissional real é assim, e mesmo no UK não é diferente. Ao menos você observa um senso de justiça maior.
  • Estilo de vida: Como discutido anteriormente, se o seu estilo de vida se assimila ao estilo de vida britânico você terá maior probabilidade de se adaptar e ficar a longo prazo no Reino Unido. Isso vai desde cultura popular, música, costumes, etc. Por isso é importante também conhecer um pouco o UK antes realizar a mudança, pois somente “sonhar em morar em Londres” (que é quase um país a parte do resto do UK) é muito diferente de realmente conhecer o país. No UK o estado de bem-estar social oferece os serviços básicos e as pessoas EM GERAL vivem menos preocupadas com posses, status, e outras superficialidades (na minha opnião). Achava isso interessante e existem aspectos dessa cultura britanica que eu gostava.
  • Segurança: talvez a questão mais importante que muitos buscam ao morar em outro país, de fato o nível de segurança no Reino Unido é muito superior ao Brasil. Apesar de que assim como em qualquer lugar do mundo existem subúrbios com violência, desigualdade e condições sociais comparáveis a lugares precários no Brasil, a exposição a assaltos e outros tipos de violência urbana não existe no UK. Pelo menos não da mesma forma como é em alguns lugares do Brasil, onde a violência, risco de sequestro e latrocínio chega a ser banalizadas. Conheço pessoas que valorizam essa questão o suficiente para justificar uma mudança para outro país, o que eu considero absolutamente justo tendo em vista experiências que todos passamos ou ouvimos pessoas próximas de nós passar.

Morar fora vale a pena? 

Depende. Para alguns essa resposta será definitivamente sim, e para outros definitivamente não. Vou apresentar 2 arquétipos de pessoas aqui: exemplo número 1, “Ana”, tem 38 anos, possui família constituída, ambos pais estão vivos e ajudam na criação dos netos, se preocupa muito com seus filhos morando no Brasil e tem dificuldades de reunir o dinheiro necessário para pagar todos os seus custos (colégio particular para os filhos, plano de saúde para os pais). Nunca particularmente sonhou em morar fora, mas terminou residência há 10 anos e sempre foi frustrada com o seu dia-a-dia pois acredita que o Brasil não te dá condições dignas de trabalho e qualidade de vida. Ana não fala inglês muito bem mas tem planos de fazer um cursinho pois quer revalidar o diploma para o UK ou os Estados Unidos, a depender do que for mais fácil. 

Exemplo número 2: “Felipe”, 26 anos, solteiro, está no sexto ano de Medicina. Felipe sempre sonhou em morar fora, seus pais sempre o incentivaram a morar fora do país. Os pais de Felipe também pretendem morar em Portugal quando se aposentarem. Fez intercâmbio no Ciências sem Fronteiras há 4 anos para Londres e desde então sempre quis retornar.  Felipe trabalhou durante 2 anos e juntou uma quantia significativa para proporcionar a mudança. Também passou esse período estudando inglês, tirou nota muito acima do IELTS e tem inglês fluente. 

Se eu te dissesse que tanto “Ana” quanto “Felipe” conseguiram revalidar o seu diploma, mas depois de 2 anos um dos dois voltou para o Brasil, você diria que qual dos dois decidiu voltar? Eu escrevi esses casos induzindo para que essa pessoa fosse Ana. Ela já possui carreira constituída, vínculos de trabalho, seus pais estão vivos e provavelmente nos últimos anos de sua vida e são muito próximos do neto, etc. Principalmente, ela nunca teve uma motivação muito grande para morar fora. Ela só quer sair do país, seja pra EUA ou UK. Felipe por outro lado tem poucos vínculos no Brasil e na teoria menos a perder. Morar fora seria muito mais fácil para ele, pelo menos na prática. 

Na teoria é mais ou menos assim que se imagina. Na prática, as coisas são muito diferentes. Eu só consigo fazer essa comparação e juízo porque eu atribui valores quantitativos a cada um desses aspectos (família, trabalho, vontade de morar fora) e colocando na balança, arbitrariamente decidi qual dos dois “pesou mais”. E a verdade é que essa comparação simplesmente não é possível, pelo menos não de forma tão simplória. É como se pudéssemos transformar em grandezas econômicas esses quesitos (relação com os pais, necessidade de segurança, sonho e metas de vida), e decidir qual das duas opções vale mais a pena. Mas eu não preciso me delongar mais no assunto pra concluir que para cada um, cada uma dessas coisas vai ter um peso diferente. Eu também não preciso explicar que estás grandezas não são nem de perto grandezas meramente econômicas. Explicitando isso assim, parece ridículo. Mas é o que fazemos quando “colocamos na balança” esses aspectos. Além disso esses pesos são variáveis ao longo do tempo e interagem entre si de forma difícil de se prever. A depender da fase em que você se encontra você terá uma ou outra prioridade, que será influenciada por suas experiências e pelo seu “passado”. 

Ainda assim quando pensamos sobre a decisão de morar fora, fazemos essas comparações e chegamos a conclusões como se pudéssemos quantificar essas questões. Por isso acredito que quando considerando essa decisão, é muito importante cada um pensar extensivamente sobre a sua situação quais aspectos da sua vida são mais importantes. Morar no UK certamente te trará mais segurança nas ruas, e te dará oportunidade de morar em um país de primeiro mundo. No entanto você irá morar longe da sua família e de toda a sua rede de suporte. Estes são fatos, que independem de interpretação e experiência pessoal. Eles acontecerão. Qual desses dois lados da moeda são mais importante para você? É muito, mas muito, importante chegar a sua “verdade” e atuar nela de forma honesta e com a coragem necessária para tomar as atitudes que requeridas para que você siga aquele determinado caminho.

Negatividade

Gostaria de fazer um adendo muito importante antes de finalizar esse texto. Entendo que para qualquer experiência que você viva, a forma como você interpreta qualquer coisa determina se você terá uma experiência positiva ou não. Portanto muitos dos aspectos que aqui identifiquei como negativos, podem ser vistos como positivos, e muitos deles são positivos mesmo, na minha opinião. Uma pessoa pode interpretar a dupla ausência como uma coisa ruim, ao passo que outra pessoa pode valorizar a aventura e os desafios que incluem morar em outro país e diariamente se reinventar como uma oportunidade que poucas pessoas terão oportunidade de viver. Se sentir estrangeiro para sempre pode perder a novidade após um tempo, mas também é uma das formas mais intensas de auto-conhecimento que pode existir. A experiência de morar fora para mim foi uma das coisas mais enriquecedoras que vivi na vida, e eu tenho plena convicção disso. A minha decisão de voltar para o Brasil partiu primariamente na intenção de me manter próximo a minha família, uma coisa positiva, do que uma vontade de me afastar do Reino Unido. Em momento nenhum fiz essa escolha baseado em pessimismo, e recomendo a todos que pensam sobre o assunto a tentar ver sob a mesma ótica.

Conclusão: Ter certeza é impossível

Não procure ter certeza absoluta, porquê você não vai ter. Mas isso não é justificativa para você tomar uma decisão inconsequente. Além disso ter certeza não vai te ajudar em nada, pode ainda te induzir a tomar uma decisão cegamente com foco somente em completar um objetivo. Certifique-se que você tem espaço para fazer essa mudança. Certifique que se caso você mudasse de ideia e decidisse voltar, você atuaria nisso e seguiria aquilo que você quisesse de verdade e não o que fosse esperado de você. Que você tem a oportunidade de errar. Se informe o máximo possível. Saiba dos problemas e como enfrentá-los. E se não der certo, tenha a consciência e decida o que for melhor pra sua vida. Não há nada pior do que viver uma vida que você não quer, seja no Brasil, ou no Reino Unido. Conversei muito sobre o assunto com amigos desde que voltei no Brasil e uma frase que encontrei na internet e me marcou é que “a vida não tem replay”, e as escolhas que fazemos e caminhos que seguimos precisam estar de acordo com as nossas vontades, independente se isso significa morar no UK ou no Brasil.

7 comentários em “Porque decidi deixar o UK e retornar definitivamente ao Brasil

  1. Muito bom o texto. Adorei a reflexão e a visão dos pontos positivos e negativos. Com certeza me ajudará na minha decisão. Fico feliz em saber que você está fazendo o que sente bem 👏🏻

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  2. Lindo texto, Thiago! Me identifico muito contigo em tantos aspectos. Muito importante essa visão realista da imigração. A família e a rede de suporte podem realmente ser os maiores obstáculos. Ter filhos aqui sem o suporte da família brasileira é uma aventura muito solitária, mesmo que se tenha um(a) parceiro(a). E quem constitui família aqui, se também tiver família no Brasil, talvez viva pra sempre dividido. As despedidas nos aeroportos são constantes e parecem acontecer sempre cedo demais. Deixar os pais no Brasil é um peso que nunca sai de dentro do peito. Dentre todas as coisas boas de morar aqui, a distância da família faz facilmente a plenitude do indivíduo se tornar algo bastante fugaz.
    Que bom que vc encontrou seu caminho e está feliz. Coragem é algo que também enche os olhos, sei que não te falta! Muito sucesso na sua nova etapa e obrigada por compartilhar informações tão valiosas no seu blog!! Um ótimo ano pra vc 🙏🏼

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  3. Muito bom! Ser imigrante realmente não é fácil e inclui muitas renúncias. Tenho minhas dúvidas se quero pagar esse preço, mas acho que me arrependeria se deixasse de tentar. Obrigada pelo relato!

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  4. Interessante sua visão, são pontos que geralmente não ouvimos falar (eu não, pelo menos). Tendem a valorizar muito os pontos positivos, sem dar o devido valor aos pontos negativo.

    Que você seja muito feliz em seu retorno ao Brasil!

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  5. Muita sorte e luz pra você no caminho que você escolher Thiago! Sempre seremos muito agradecidos por você compartilhar gratuitamente todo essa experiência e conhecimento. Muito obrigada

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  6. Excelente testo. Sou médico e minha esposa também. Tenho muita vontade de conhecer o mundo, porém sou muito apegado com minha família e amigos no Brasil! Mas como você mesmo disse, a vida não tem replay. Talvez seja bom viver, experimentar, e se não der certo, volte. O Brasil é uma grande mãe que está sempre de braços abertos!!!

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  7. Muito bom seu texto Thiago, fico pensando muito sobre ficar distante da minha família e como me afetará, mas também me arrependeria se não tentasse.

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