OBS: Havia escrito essa página no ano passado, antes mesmo de pessoalmente realizar a prova do PLAB1. Por essa razão, já vinha algum tempo planejando re-escrevê-la, e abaixo está a versão atualizada com minha opinião pessoal após ter feito a prova, incluindo como a prova em si fugiu ou foi dentro das minhas expectativas e do que acreditava que encontraria no dia do teste.

MINHA EXPERIÊNCIA COM O PLAB1

O PLAB1 é uma prova com 180 questões de múltipla escolha ABCDE com 3 horas de duração, cuja inscrição um total de £235. A prova é realizada 4 vezes ao ano no UK (Londres, Manchester e Edinburgh) ou em outras localidades (Canada, Oriente Médio). Infelizmente a prova ainda não pode ser feita no Brasil, o que irá requerer que você viaje para fazê-la. Nesta publicação tenho a intenção de explicar o meu relato pessoal de como foi o processo da realização, com algumas considerações mais subjetivas.

DIFICULDADE DA PROVA

O PLAB1 é uma prova de nível de dificuldade MODERADO, que possui um estilo bastante semelhante com as questões para provas de residência que fazemos no Brasil. Por isso, com relação ao estilo de prova em si, o teste não é nenhuma surpresa para nós brasileiros. Para falar a verdade, acredito que as questões não aprofundem tanto como muitas provas de residência no Brasil. 

No entanto, isso não quer dizer que é uma prova fácil. O PLAB1 requer preparação adequada por um tempo mínimo para você se habituar ao estilo da prova e questões comumente cobradas. No dia-a-dia de trabalho no Brasil, ter o tempo livre necessário para estudar não é fácil e às vezes na correria dos plantões e empregos fica difícil sentar pra revisar os assuntos e fazer as questões. Na preparação talvez a maior dificuldade seja justamente essa, separar o tempo necessário para o estudo necessário, e não o nível de dificuldade das questões em si.

POR ONDE ESTUDAR

Para qualquer tipo de prova você terá o estudo direto do assunto, que pode ser feito através das referências oficiais, ou o estudo mais direcionado para a prova através das questões de provas passadas. No caso do PLAB1, as referencias oficiais são os NICE GUIDELINES (os guidelines que regem todas as condutas no UK, algo como as nossas diretrizes do Ministério da Saúde) e o handbooks da Oxford, principalmente o Oxford Handbook of Clinical Medicine e o Oxford Handbook of Medical Specialites. Apesar dessas fontes serem muito interessantes, não necessariamente vale a pena utilizá-las para estudar para o PLAB1. Isso porque você desperdiçaria muito tempo com o embasamento teorico, que é importante, mas que não vai te levar a lugar nenhum sem o treinamento adequado que é através da realização de questões.

Sem dúvidas o material disponível hoje em dia mais adequado para preparar-se para PLAB1 é o PLABABLE (custo de £25 para 5 meses de acesso). Na época que realizei a prova ainda não possuía o serviço de aplicativo, que hoje em dia permite você realize as questões no seu celular mesmo offline. O PLABABLE oferece as questões do banco de dados que usualmente é utilizado para estudar dividido por especialidades. Ao todo, são por volta de 1700 questões, ou talvez um pouco mais. Além disso, você pode realizar 9 mocks (simulados) com 180 questões, o que corresponde mais ou menos a realizar todo o banco de questões uma segunda vez. Associando isso com a apostila das 1700s questões do Khalid compiladas pelo PLABzilla, você terá realizado todas as questões no mínimo 3 vezes. Eu acredito que essa quantidade de estudo seja suficiente para realizar a prova. Inicialmente você ainda irá pegando o jeito da prova, respondendo as questões com o seu conhecimento prévio, e progressivamente você vai entendendo como a prova funciona. Ao final, uma boa forma de medir o seu conhecimento é lendo os resumos que estão disponíveis na Internet, os “clinchers”. Estes arquivos apresentam de forma bastante resumida praticamente todo o assunto da prova, e se você tiver realizado as questões de forma suficiente você irá reconhecer tudo o que estiver ali descrito, portanto demonstrando que você já possui um entendimento muito bom da prova como um todo. 

TEMPO DE ESTUDO

Isso irá depender muito da sua rotina de estudo, quantas questões você realizará por dia e etc. Quando estava no Brasil, enquanto trabalhava, não conseguia manter um ritmo de 30 questões por dia. Próximo a prova, quando estava bastante focado 100 questões por dia me pareciam pouco. Então vai depender muito da sua situação. Tente encaixar o esquema proposto acima à sua rotina, e veja quanto tempo será necessário para você. Acredito que com uma rotina de trabalho normal de 48-60 horas por semana, 2-3 MESES sejam suficientes, separando uma semana no final para intensificar um pouco mais o estudo e fixar os assuntos. Extendendo um pouco mais com um tempo total de 3-4 meses acredito que todos conseguiriam cobrir o assunto e realizar a prova com maior tranquilidade.

OBS: Há relatos de pessoas que fizeram a prova em um tempo muito menor (4-6 semanas) e foram aprovadas. Você precisa avaliar o que encaixa no seu orçamento e no seu planejamento anual, e se o tempo que você possui disponível é muito menor você precisa fazer os ajustes necessários. É muito importante ter cuidado somente para não subestimar a prova, e acabar desperdiçando ainda mais dinheiro e tempo caso você venha a ser reprovado por não ter se preparado adequadamente.

CURSO PREPARATÓRIO

Uma possibilidade muito pouco utilizada e não recomendada pela maioria das pessoas, é a realização de cursos preparatórios. Acredito que hoje disponíveis para o PLAB1 existam os cursos do Swammy (em Manchester) e o curso do Samson (em Londres). É senso comum que esses cursos não são necessários por conta da relativa facilidade da primeira prova, que através de um treinamento razoável você consegue pontuar o necessário. No entanto, talvez sua rotina de trabalho seja muito pesada, sobrando pouco tempo para você estudar. Ou talvez você não tenha tido tempo necessário durante o período que se programou, e se vê próximo da prova incerto se conseguiu estudar o necessário.
No meu caso, eu estava com uma rotina de trabalho um pouco pesada (justamente pra bancar o pagamento de todo esse processo) e chegando próximo a prova eu decidi fazer o curso do Samsom. Não foi uma coisa que eu planejei, mas foi uma decisão da qual eu não me arrependo. Para mim foi uma opção que valeu a pena por alguns motivos:

  • Passei um total de quase 1 mês em Londres, período que serviu para mim como uma espécie de férias
  • Uma nova oportunidade de imersão no Reino Unido, melhorando o inglês. Na ocasião fiquei em um hostel bastante confortável perto do curso 
  • Por estar em Londres somente para estudar para a prova, foquei bastante e estudava boa parte do dia. Fiz as 1700s duas vezes só durante esse período, além dos simulados do Samsom. Realizei portanto todas as questões 3 vezes em um período de 2-3 semanas. 

Ainda assim, acredito que o meu caso foi uma situação isolada que confluiu com a necessidade de realização do curso. Infelizmente, cada semana longe do trabalho no Brasil significa não estar recebendo salário, o que aumenta de forma indireta ainda mais o custo de fazer essas provas. Além disso a maioria dos empregos no BR não irão permitir que você se afaste das atividades por um tempo prolongado. Por isso não recomendo a realização do curso, a não ser que seja um caso muito especifico como o meu. 

DIA DA PROVA E CONCLUSÃO 

Fiz a prova do PLAB1 em Edinburgh, Escócia. Na ocasião foi a primeira vez que a prova foi feita nesse centro. Muitos suspeitam que estes novos centros vem surgindo em uma transição para a realização futura do UKLMA. A escolha em realizar a prova nessa cidade foi muito boa, uma vez que fiz a prova no GMC de Edinburgh com outras 11 pessoas, com muito espaço. O conteúdo da prova foi exatamente aquilo que vinha estudando no PLABABLE e que havia revisado com os clinchers, algumas questões tendo sido exatamente iguais ao que vi nos mocks do Samsom. Acredito que por volta de 40-50 questões foram repetidas, no entanto mesmo as que não foram repetidas trataram de questões semelhantes ao que aparece nos simulados. Por isso fiz a prova relativamente rápido, terminei 1 hora antes do fim e tive tempo de revisar a prova toda e mudar a resposta de algumas questões. Antigamente a prova possuía 200 questões e dizia-se que muitos enunciados longos dificultavam o término da prova no tempo oferecido, mas no dia da minha prova achei os enunciados bastante completos e de mesma extensão do que vi nos mocks do PLABABLE. De fato, se você se preparar da forma adequada provavelmente a sua melhor nota será no dia da sua prova. Isso porque as questões dos Mocks são anotadas de recalls de pessoas que acabaram de fazer a prova e disponibilizam na Internet, por isso muitos enunciados são confusos e incompletos. No dia da prova, as questões tendem a ser mais claras. 

Finalizando, o PLAB1 não é uma prova difícil, e é possível conciliar a rotina de trabalho no Brasil com o o estudo pra prova, mas não recomendo subestima-la pois vez ou outra algumas pessoas são reprovadas. É só questão de organização. Posteriormente, quando você estiver treinando para o PLAB2, vai ver que muitas coisas (principalmente as questões de ética e psiquiatria) do PLAB1 vão te ajudar a entender um pouco mais sobre como funcionam as coisas no NHS, então definitivamente vale a pena estudar bem pra fazer uma boa prova no PLAB1. 

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