IELTS: International English Language Testing System, é o teste de proficiência que devemos fazer pra iniciar todo o processo. Você só pode se inscrever no PLAB1 uma vez que possui a nota necessária para o IELTS: uma nota geral, overall band, de 7.5 com no mínimo 7.0 em cada banda (Writing, Listening, Speaking e Reading). 

PLAB1: Professional and Linguistic Assessments Board, é a primeira téorica que fazemos, que consiste em 180 questões de múltipla escolha. Você precisa tirar uma nota maior que o corte definido para passar, corte que é definido atráves de um procedimento que envolve colocar um médico britanico local para fazer a prova e fazer uma média ponderada. Se você tira acima deste limite (que no começo de 2018 foi de 118) você é aprovado, não existindo classificação ou competição atráves da nota. É PASSOU ou NÃO PASSOU. Com relação às provas, as questões em geral parecem um pouco com as que fazemos nas provas de residência no Brasil mas em menor complexidade e nível de aprofundamento nos assuntos, na minha opnião. 

PLAB2: é a segunda e última prova que você realiza antes de receber a full licence que permite que você aplique para as entrevistas de emprego no NHS. Consiste em uma prova prática com 18 estações, cobrindo uma série de assuntos mais prevalentes, onde você deve realizar tarefas pré-determinadas com um ator. Ocorre de forma parecida como na segunda fase de algumas provas de residência no Brasil, como a USP. Em geral você não é cobrado sobre as especificades do assunto (dose de medicamento, realizar a tecnica corretamente), com foco grande da prova sobre a parte pessoal, empatia, capacidade de conversação e empatia. 

NHS: National Health Service. É o sistema de saúde britânico, um sistema de saúde universal assim como no Brasil. O sistema se sustenta na arrecadação de impostos, cobrindo todos os cidadãos britânicos e estrangeiros regularizados com atenção integral que envolve o atendimento primários com os GPs, e se necessário consutas de especialista ou atendimento de emergência e hospitalar. Assim como no Brasil, tratando-se de um sistema de saúde universal existem diversos problemas associados, como financiamento insuficiente, demanda excessiva em hospitais, baixo número de profissionais para a necessidade do país. 

IMG – International Medical Graduate, todos os médicos estrangeiros. É uma sigla que você verá de forma recorrente mesmo nos documentos oficiais. Em alguns lugares existe uma distinção entre EU-IMG, aquelees da União Europeia, e Non-EU IMG, aqueles que não possuem passaporte europeu. 

FY1 – Foundation Year 1 Doctor, corresponde ao médico no seu primário ano de trabalho após a faculdade de Medicina, ao final do qual ele receberá a sua full license

FY2 – Foundation Year 2 Doctor, segundo ano do Foundation Progamme. Ao final desse ano você completa o Foundation Progamme, o progama criado com a intenção de nivelar o nível de conhecimento dos médicos recem-formados no Reino Unido

House Officer – É a denominação correspondente aos FY1 e FY2. O FY2 por ser o mais senior dos dois pode é um dos médicos do grupo chamado de SHO, Senior House Officer. 

SHO (Senior House Officer) – Nomenclatura que inclui FY2, mas também aqueles médicos que terminaram o FY2 e trabalham na enfermaria em atividades similares. O seu primeiro emprego no UK será provavelmente neste nível. Alguns médicos terminam o FY2 e não progridem necessariamente, mantendo-se como SHO por quanto tempo quiserem. A denominação de SHO inclue além de FY2 os Clinical Fellows. Voce verá então empregos oferecidos para FY2, SHO, Clinical Fellows que correspondem mais ou menos a mesma atividade. 

LAS – Locum Appointment for Service, os non-training jobs. Corresponde a um determinado emprego de contrato temporário, em que você está ocupando uma vaga que não foi ocupada por médicos locais por 6-12 meses. Nestas vagas você pode realizar tarefas equivalentes a um training-job , mas sem uma estrutura de ensino definida (na prática, são atividades muito semelhantes a depender do local, as vezes iguais).  Existem então FY1 LAS, FY2 LAS, CT1 LAS, e por aí vai. Este será o primeiro emprego da maior parte dos médicos estrangeiros, ao final do qual você pode solicitar a assinatura de um compentencies form (após um mínimo de 3 meses) que indica que você pode prosseguir para o próximo nível mesmo não tendo feito um training job. 

LAT – Locum Appointment for Training, os training jobs. Corresponde aos empregos “oficiais” de treinamento na estrutura do NHS. Na prática, estas atividades são mais supervisionadas, você terá aulas semanais sobre assuntos importantes, tutoria mais organizada, acesso para realização do e-portfolio. São mais dificeis de conseguir pois a aplicação acontece sometne uma vez ao ano, e como médicos estrangeiros aplicando no Round 2 só temos acesso às vagas restantes. No entanto, existem ainda muitos LATs disponiveis, e existem vários benefícios associados a um training job, sendo o maior deles poder aplicar no Round 1 posteriormente, competindo de igual pra igual com médicos locais.  Leia mais: https://emzeden.blogspot.com/2017/08/my-fy2-locum-appointment-for-training.html 

Standalone LAT – Se refere a um contrato de training job para um ano isolado. Você pode encontrar frequentemente a palavra Standalone FY2 LAT, que significa uma vaga de emprego que oferece o segundo ano isolado do Foundation Progamme. Se você como brasileiro for aplicar para um training job, serão estas vagas que voce irá procurar já que não podemos aplicar no FY1 LAT. 

Full Licence – Quando o médico britanico termina a faculdade de Medicina ele deve terminar o FY1 para receber a full licence. Nós brasileiros, por conta do nosso internato, chegamos no UK já com a full licence. Na prática é como se só agora ele fosse um médico com um “CRM” completo. Isso implica em mudanças nas responsabilidades, uma vez que há progressão da carreira, mas também na prescrição de algumas drogas que você não pode realizar com uma provisional licence (imunomoduladores, tranfusão de sangue, etc). Obs: Por esta razão, nós não podemos realizar empregos FY1 LAT/training-jobs, emprego reservado para aqueles sem licença completa. 

Provisional licence – O registro de médicos britanicos, ou aqueles vindo de outros países que não possuem um internato compativel com o UK, antes de finalizar o primeiro ano do Foundation Programme (FY1). Não se aplica a nós brasileiros, pois já chegamos no UK com uma full licence. 

CT – Core training. Após o Foundation Programme grande os médicos irão prosseguir para o treinamento de especialidade. Semelhante ao Brasil onde temos Clinica Médica e Cirurgia Geral, no UK existe o Core Medical Training e o Core Surgical Training (eles tendem a se referir a Clinica como Medicine). Nestes você realizará 2 anos, CT1 e CT2, para adquirir a base para realizar os anos de especialidade, e é esperado que você aumente o seu nível de responsabilidade (iniciar a realizar e passe a dominar procedimentos considerados mais complexos no UK, como drenagem de torax, toracocentese, e talvez um acesso venoso central). Assim como no Brasil, também existem aquelas especialidades de acesso direto que não requerem a realização do Core Training. 

Uncoupled Specialties – São as especialidades que requerem que você realize anteriormente o Core Training. O treinamento de especialista destas especialidades iniciam-se no ST3 já que o CT1/2 corresponde ao dois primeiros anos do treinamento de especialista ST1/2. Em geral são “residências” mais longas, com um total de 5-7 anos até o último ano do specialty training. Estas especialidades são:  

Retirado do site da Brittish Medical Association 

Run-through training – o equivalente às especialidades de acesso direto. Você não precisa realizar o CT, entrando diretamento no ST1. Para nós brasileiros, isso significa que você precisará de um curriculo muito bom se quiser uma especialidade mais concorrida (como Oftalmologia, por exemplo). Isso acontece porque você não tem os 2 anos do CT para melhorar o seu curriculo, e irá competir nas entrevistas logo após o seu FY2, o primeiro emprego provavelmente. Na prática, é possível que você precise ficar mais de um ano em um emprego nível SHO/FY2/Clinical Fellow para conseguir se aproximar das especificidades de curriculo necessárias. São estas:

Retirado do site do Brittish Medical Journal 

OBS: Cada especialidade possui pré-requisitos desejados e ideais para o ingresso no specialty training. Esses pré-requisitos (p.ex: pesquisa na aréa, apresentação de projetos na aréa) estão disponíveis nas páginas dos Royal Colleges de cada especialidades. 

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GP – General Practitioner. São os médicos generalistas, base do sistema de sáude britânico, o NHS. Algo como o médico de USF no Brasil, talvez em condições de estrutura ideais para os nossos padrões. Para se tornar um GP após o FY2 você realiza somente 3 anos , GP1-3 até finalizar o treinamento, o que é até 3 vezes menos do que você precisa para se tornar um cardiologista. Como GP você atenderá adultos, crianças e acompanhamento ginecológico. As consultas são através de marcações ou das drop-in clinics. Estas, as vezes atendem coisas que no Brasil são atendidas na emergência (as fichas verdes: cistites, IVAS, quadros infecciosos simples, etc.). Esses profissionais em geral tem uma demanda de trabalho grande, ainda que em menor complexidade. 

OBS: O salário inicial de um GP é por volta de £60.000/ano. O que ocorre é que os GPs podem abrir seus próprios consultórios, e atendem em forma de parceria com o NHS. Isso faz deles donos dos próprios serviços, o que pode aumentar muito o salário pra £100.000/ano ou até mais. Leia mais: https://www.dailymail.co.uk/health/article-5219389/Group-200-NHS-super-GPs-make-200-000-year.html

Round 1 e 2- A aplicação para qualquer emprego ocorre em duas fases. No Round 1, as vagas são oferencidas para os médicos britânicos. Após essa rodada, as vagas que não forem ocupadas (i.e as vagas que sobraram) serão oferecidas no Round 2 para os IMGs. Se nós só podemos aplicar para as vagas restantes, significa que na teoria ficaremos com os piores empregos e caso todas vagas sejam completas no Round 1 não poderemos nem concorrer para uma determinada especialistas. Felizmente, na prática muitas vagas sobram pra o Round 2 e em geral isso não é um problema tão grande. Por outro lado, algumas especialidades são completas no Round 1 (i.e Cardiologia) e caso você não consiga aplicar no Round 1 você provavelmente não conseguiráe entrar no Specialty Training daquela especialidade. Se voce é um IMG e quer conseguir aplicar no Round 1 só existem duas opções: aqueles que casam com alguem com cidadania britânica e conseguem o spouse visa, ou aqueles que aplicam pra um Training Job que te dá o direito de aplicar no Round 1 no ano seguinte. 

Locum shift – Realização de uma atividade através de um contrato temporário. Na prática, será o mais parecido com os plantões que fazemos no Brasil, que você realiza em uma unidade qualquer que precisa de um médico para aquela atividade. A palavra locum se refere as atividades realizadas pontualmente, como um único plantão de 12 horas, mas também pode se referir a uma atividade na enfermaria por um mês inteiro.

Non-locum shift – Já vi essa denominação para diferenciar aqueles locums realizados em uma unidade diferente daquela que você trabalha. Você pode conseguir estes plantões isolados através das locum agencies

Ward: São as enfermarias. A maioria dos empregos a que você irá aplicar irão ser referentes à atividades de enfermaria. Com reação aos plantões, alguns plantões também são especificos para ward cover, que é ficar responsável pelas intercorrências ou pendências das enfermarias. 

Ward Round: É o momento em que o Consultant chega a enfermaria, e discute todos os casos da enfermaria e direciona as condutas a serem realizadas no período da tarde. É o equivalente a nossa “passagem de enfermaria”. Em geral ocorre por volta das 8-9am.

Outpatient clinic: São os ambulatórios de especialidades. Na prática, a maior parte da atividade ambulatorial primária no UK fica com os GPs. Os ambulatórios de especialidades a que estamos acostumados a rodar no Brasil durante toda a faculdade ficam sob responsabilidade dos Registrars e dos Consultants, portanto não teremos muito contato com estes durante os primeiros anos trabalhando no NHS. Exemplos de ambulatórios: Hematuria, Falls Clinic, Diabetic Foot, etc. 

Rota – Escala. Geralmente as escalas se dividem entre as atividades oficiais da enfermaria de 9am-5pm, e os horários extras como twillight shits (chamados de Cinderela em alguns lugares no Brasil), ward covers, night oncalls, etc. Geralmente os plantões noturnos são todos condensados em somente uma semana, onde você pode precisar fazer plantões noturnos todos os dias de seguinda a quinta, sendo obviamente liberado das atividades da enfermaria. 

“On calls” – Quando você fica com um beep (ou um celular) e é responsável por responder as intercorrências ou resolver as pendencias de enfermarias. Na maior parte das vezes você fica com um número muito grande de leitos (4-6 enfermarias). O FY1 on call recebe as chamadas ae vai nas diferentes enfermarias resolvendo estas pendências, e entra em contato com o Registrar on-call quando for algo mais complicado ou que não saiba resolver. Este então, se encontrar alguma complicação maior pode entrar em contato com o Consultant on call (que geralmente não encontra-se no hospital).  O on call pode fazer parte da sua escala, ou pode ser um locum que voce faz pra ganhar um dinheiro extra. 

CRASH call – é um código acionado quando ocorre uma parada cardiorrespiratória no hospital. Se voce é o junior doctor (ou o registrar) on call você receberá a localização no seu beep e deve se direcionar imediatamente para o local. Como Júnior Doctor, não é esperado que você lidere completamente um protocolo de ACLS. No entanto, é possível que você seja o primeiro médico na cena e deva no mínimo iniciar o processo, e poderá liderá-lo por completo a medida que você estiver seguro e a equipe te der oportunidade. Independente da sua presença no local, os hospitais possuem uma equipe de resposta rápida que fica responsavel somente por essas chamadas (composta por um médico, enfermeiros especialistas, etc) e chegará para dar prosseguimento ao atendimento. Até onde sei, as CRASH calls envolvem além de PCRs pacientes com instabilidade eminente. 

Locum agencies – Agências que coordenam a alocação de médicos para realizar os locums em diversos hospitais através da cobraça de uma taxa, uma parte do que você receberia no plantão (em média £35-50/hora). Por outro lado, eles podem ser a forma como você terá acesso a plantões. Na prática, os plantões que você consegue com as agências tem o lado negativo de ocorrerem em unidades que talvez você não conheça, e portanto tenha um sistema/dinâmica diferente, algo que pode causar transtornos. 

Trust – Se refere a um determinado grupo de hospitais onde você irá trabalhar. Por exemplo, você aplica para o NHS Imperial College Trust que corresponde a uma rede de 4 hospitais. Durante o seu contrato, de 1 ano, você poderá realizar os rodizios de 3 meses em diferentes departamentos de diferentes hospitais. 

Deneary – É uma divisão entre as diversas regiões do UK, dividindo mais ou menos onde você realizará o seu treinamento. Quando um médico britanico aplica para o Foundation Programme eles escolhem uma determinada região, e sabe que as suas atividade serão mais ou menos naquela região durante aqueles 2 anos. Algumas são mais concorridas (Londres) e outras não (Escócia). Para nós, isso não significa muito pois fazemos somente o FY2. Com relação ao Specialty Training, quando você aplica para aquele período de ST1-ST8 em uma determinada Deneary, você provavelmente irá mudar de cidade durante esses anos nos diferentes hospitais, mas todos dentro da Deneary que você escolheu. A existência das denearys é a razão pela qual até se tornar consultant o médico no UK muda bastante de cidade, ainda que todas em uma única região com raio de +/- 1 hora de carro. 

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NHS Jobs: É o site onde você procura os empregos a que você irá aplicar. Reune os empregos de todas as especialidades de saúde, inclusive as médicas. Os empregos são listados de acordo com o nível (SHO/FY2/Clinical Fellow, FY1, FY2, CT, ST/Registrar, Consultant) e se são LAS/Non-Training-Jobs ou LAT/Training-Jobs. Além disso os empregos listam as especialidades daquele determinado emprego para aquele níve (Renal Medicina, Care of the Elderly, Respiratory Medicine, Stroke Medicine, Diabetes, Cardiovascular Medicine, etc). 

Os valores explicitados em geral não incluem a Banding, que é o valor extra que você recebe por realizar antisocial hours (finais de semana e plantoes noturnos). Portanto se o seu emprego oferecer muitas atividades com uma banding alta você irá receber um acrescimo de até 50% no salário divulgado. 

NHS Jobs Scotland: A aplicação para a Escócia ocorre em uma página diferente, que se estrutura da mesma forma só que especificamente para a Deneary da Escócia, que é somente uma região. Dentro da Escócia, as diferentes trusts se dividem nas regiões da Escócia (Glasgow, Perthshire, Lanarkshire, Aberdeen, etc.)

Banding: Quando você aplica para um determinado emprego você será informado sobre a Banding que receberá por realizar aquela atividade, e estas são divididas em categorias. Quanto mais alta a categoria, maior o número de atividades em antisocial hours você estára realizando e portanto será recompensado por isso recebendo bônus por estas horas. OBS: Você pode aplicar para um emprego e ser oferecido uma banding, mas se a sua experiência no Brasil for extensa (voce tiver trabalhado anos com emergência, tiver feito residência no Brasil) você pode solicitar uma banding maior e portanto um salário maior. 

Um comentário em “Siglas e Conceitos Básicos

  1. Thiago , outra dúvida por favor: Caso opte por abdicar da minha especialidade e entrar no caminho de 3 anos para me tornar um General Practitioner qto ganho por ano nestes três anos de formação para me tornar um General Practitioner?

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