A ideia era realizar uma postagem mais curta. Após inserir uma série de informações que eu acho que podem ser importante para algumas coisas, de certa forma coisas que eu gostaria que pudessem ter me contado antes de eu fazer tudo isso, acabou ficando um pouco mais extenso. Tentei ao mesmo tempo inserir a minha experiência pessoal, mas mater somente aquilo que pode ser útil para outras pessoas. Para algumas pessoas o texto todo pode ser útil, para outras somente algumas seções especificas. De um jeito ou de outro achei melhor manter nesse formato.

Minha ideia de morar no UK surgiu após um período de intercâmbio em 2013. Desde então revalidar o diploma para o Reino Unido foi algo que sempre considerei, no entanto naquela época ainda parecia algo muito abstrato para mim, ainda a 3 anos da formatura. Chegando ainda mais perto da formatura, procurei informações na internet e não achava nenhum tipo de instrução sobre o assunto. Aos poucos fui ficando desanimado, principalmente porque na internet ainda não havia nada sobre brasileiros revalidando. Na realidade eu não havia encontrado nada. 

Em 2016, já decidido a manter a minha carreira no Brasil, fazendo MEDCURSO para prosseguir com a prova de residência pra clínica médica, comecei a me sentir frustrado com as perspectivas de seguir a carreira no Brasil. Em um determinado dia, por sorte, pesquise no Google a palavra PLAB e encontrei uma página que não existia antes. Em 2014 não existia nada (acho que na realidade eu não achei) do que eu estava procurando, mas agora eu havia encontrado o Naseer’s Journey, cujo subtítulo do texto era “The journey is easier than you think” (ou será que isso foi algo que eu confabulei posteriormente?). 

Não só existia um caminho bem definido mas na verdade bastante claro e factível. Além disso descobri sobre todas as oportunidades por conta da defasagem de profissionais no Reino Unido e sobre como haviam várias vagas abertas durante todo o ano. O sistema de saúde no UK, o NHS, na realidade depende do serviços prestados por médicos estrangeiros porquê não consegue formar profissionais suficientes. Pra fechar com chave de ouro, o visto não seria um problema. Já havia lido como uma das únicas formas de conseguir um emprego é através de um SPONSOR, o que eu não sabia era que você consegue os empregos via SKYPE ou mesmo que em entrevistas ao vivo, mas que posteriormente a receber uma oferta de emprego o hospital irá te fornecer o visto. O visto não era mais uma barreira, nem o emprego. Isso me deixava confuso porque era conflitante com tudo que havia lido e visto posteriormente. 

Mais tarde, na aba de sites relacionados, eu encontrei o site do Omar Guidelines, e apesar de que com uma estrutura mais simples, esse site sim tinha 100% das informações que qualquer imigrante (IMG na linguagem dos “revalidantes”, International Medical Graduate) precisaria. O Omar tem páginas desde sobre o IELTS, PLAB, como o primeiro dia de trabalho, primeiro mês de trabalho até sobre como comer o seu primeiro carro, como viajar no UK e etc. Era literalmente o que eu havia procurado anteriormente e não havia encontrado. 

Em posse dessas informações tomei minha decisão e comecei a me programar para fazer os procedimentos necessários. Na minha organização eu iria aguardar a formatura para realizar o IELTS (que vence com 2 anos, portanto não pode ser feito muito cedo), posteriormente ir para o UK para fazer o PLAB1 e depois por um maior tempo para fazer o PLAB2. No meio tempo, eu ficaria no Brasil dando plantões de emergência para conseguir o dinheiro necessário para pagar por tudo isso. Era uma boa ideia porque os plantões de emergência me ofereceriam a liberdade de poder viajar quando quisesse. Sem prospecto de fazer residência no Brasil, não havia motivos para prosseguir fazendo o MED ou MEDCURSO, muito menos fazer as provas de residência no fim do ano.

IELTS

Eu já havia realizado 5 anos atrás o IELTS para o Ciências sem Fronteiras, então já conhecia a estrutura da prova. Como todos que realizam a prova sabem, eu entendia que o maior desafio seria realizar o Writing. Para o IELTS o médico precisa alcançar um overall score de 7,5. O problema é o mínimo de 7 em cada banda, e eu sabia que poderia precisar de mais de uma tentativa para conseguir essa nota do IELTS. Decidi a me preparar o máximo possível durante um período de mais ou menos 2 meses, e caso não conseguisse a nota na primeira tentativa eu continuaria tentando até conseguir o escore necessário. 

Dividindo como foi a minha preparação ocorreu para os diferentes seguimentos da prova: 

1. Listening:

Posso dizer que me preparei para o Listening sem saber ao longo de anos. Eu passei anos ouvindo podcasts, tudo que assistia no Youtube, sempre em inglês. Sempre fiz isso em um esforço contínuo para praticar a língua ao longo do tempo, além de entender atualmente a maioria do conteúdo da internet encontra-se em inglês. A preparação especifica você pode fazer através dos aúdios de provas anteriores. Estes estão disponíveis em torrents ou outras vias, ou pode até fazer acompanhando vídeos no Youtube com a prova de Listening na íntegra. Não é uma parte difícil da prova, na realidade as primeiras partes do listening são bastante fáceis, e geralmente as últimas 10 questões que são as mais complicadas. Considero como relativamente fácil conseguir um mínimo de 70% (28 questões certas de um total de 40), e com a prática, refazendo diversas provas, rapidamente você pega o jeito da prova e das pegadinhas que esta possui (principalmente nas últimas 5 questões). 

2. Reading:

Assim como para o Listening, tentei me preparar para o Reading ao longo dos anos. Sempre fiz um esforço para estudar os materiais da faculdade em inglês, no intuito de me habituar à nomenclatura médica. Além disso fazia um esforço pra ler tudo em inglês, e acredito que nos últimos 5 anos li somente um livro em português. Nesse período eu li uma série de livros que me deram benefícios para toda a minha vida, além de me permitir ler em inglês com mais facilidade. Para o estudo especifico da prova eu procurei os materiais, realizava as provas disponíveis na internet. É importante realizar um estudo especifico para entender a prova, que exige que você saiba responder as questões mesmo sem ler o texto na integra, ser capaz de rapidamente passar o olho para detectar a resposta que você procura, etc. No dia prova não passei maiores dificuldades e terminei muito rápido a prova de Reading, e mesmo assim consegui a nota máxima nesse quesito (o que não é muito difícil assim).

3. Speaking:

O speaking torna as coisas um pouco mais complicadas, e não tem como negar que a melhor forma de praticar o speaking é realmente falando inglês com outras pessoas. Nesse sentido vão se beneficiar aquelas pessoas que já fizeram ou estão fazendo um curso de inglês de conversação, ou qualquer coisa que ensine você a manter uma fluência e capacidade de se comunicar livremente em inglês. Nós brasileiros tendemos a querer falar inglês com um sotaque muito bom (e muitas vezes conseguimos), no entanto a fluência é talvez mais importante do que isso. Não é a toa que muitos médicos do oriente médio possuem um sotaque muito mais forte que os brasileiros que falam inglês, mas aqueles falam com fluência livre sem se preocupar muito em falar como ouvimos os americanos nos programas de TV e etc. Para a prova, existe na internet vários videos demostrando como ocorre a prova. Eu encontrei algumas páginas que me ajudaram a desenvolver um método para a prova, e foi de grande ajuda para fazer o teste. https://www.youtube.com/watch?v=qXPSgMo0C1w&t=1688s 

4. Writing:

Acredito que o Writing para 95% dos médicos estrangeiros a parte mais difícil da prova, isso porque esta é a última habilidade que adquirimos ao aprender inglês. Além disso, a maioria de nós não possuímos muito costume em escrever redações mesmo que português, ainda mais na área médica. De qualquer modo, na minha opinião considerar a dificuldade da prova não é para amedrontar quem está se preparando para o IELTS, mas demonstrar a realidade e onde você deverá focar o seu estudo. É importante saber que por vezes mais de uma tentativa é necessária para conseguir a nota, e isso é absolutamente comum. No meu caso, eu segui o método disponível gratuitamente pelo IELTS ADVANTAGE, não paguei por nenhum conteúdo. Como havia observado em outro lugar, realizar um mínimo de 10 simulados da Task 1 e 10 simulados para a Task 2 irá te dar uma boa noção da prova. Existem 4-5 padrões de prova (p.ex: give your opnion, advantages x disadvantages, etc), e aprender como escrever um texto nesses padrões é o segredo para não ser surpreendido na prova. Foi essa estratégia que eu segui e consegui na minha primeira tentativa a nota mínima de 7.0 no Writing. É importante observar que eu não terminei a última frase da Task 2, e por isso achei que teria problemas com a nota mas ainda assim consegui o suficiente! Ao treinar é preciso ter sempre me mente que o manejo do tempo é um dos pontos mais importantes. 

  • No dia da prova, tudo aconteceu como esperado. Apesar de estar indo muito bem nas provas de Listening enquanto treinava, no dia da prova acho que fui prejudicado pela qualidade do som da sala (cheguei a fazer uma reclamação com a universidade, o que não deu em nada como imaginava) e perdi algumas questões. O Reading foi super tranquilo, e o Writing eu fiz exatamente como havia me preparado, correndo contra o tempo e sai com uma sensação de que fiz o que pude, mas poderia perder. Felizmente consegui a nota e pude progredir para me inscrever no PLAB1. 

PLAB 1

Após realizar o IELTs corri para marcar a primeira prova médica da revalidação. A prova do PLAB1 mais próxima era em aproximadamente 3 semanas, o que não era viável, portanto marquei com aproximadamente 3 meses de antecedência e comecei a dar plantões para financiar a minha revalidação. 

O material ideal no momento para a preparação é o PLABable, que reúne todas as questões de forma intuitiva e hoje já dispõe até de um aplicativo. Foquei o estudo no PLABABLE, e planejava realizar todas as questões uma vez (um total de quase 2000 questões), posteriormente responder os simulados que dispõem as questões de forma aleatória, e então realizar as questões que estão em um pdf menos atualizado. Segundo havia lido, realizar todas estas questões que se baseiam no mesmo banco de questões um total de TRÊS VEZES é o suficiente para chegar na prova bem preparado. Isso é o equivalente a fazer o banco de questões 2 vezes (1 vez no PLABABLE e outra vez acompanhando o pdf com as 1700s, em alguns arquivos chamado de Plabzilla) e uma média de 8 mocks (simulados). 

No meu caso, me deparei com menos de 6 semanas e não sentia confiança para a prova. Por conta disso, após ouvir a opinião de um colega resolvi me cadastrar em um curso presencial em Londres para me ajudar na preparação que seria realizado faltando 2 semanas para a prova. Considerando que passei muito tempo dando plantão, me parecia a melhor opção intensificar muito o estudo durante algumas poucas semanas, já que não havia conseguido fazê-lo de forma espaçada. Fiz isso mas sabia que esta não era a forma ideal, e na realidade estava um pouco apreensivo se conseguiria cobrir todo o assunto adequadamente. 

Fiz o curso do Samson para o PLAB1 que consiste na realização de 8 mocks no período da manhã, e no período da tarde ele realiza todas as questões enquanto discute com os alunos. Resumidamente falando, o método de ensino do Samson não é muito bom, o mesmo nos deu o gabarito de algumas questões obviamente erradas. Por esta razão não recomendo o curso, e reitero que não existe nenhum curso presencial necessário para fazer esta prova. 

No início da minha preparação eu estava conseguindo uma média de 75% de acertos em cada especialidade. Ao final da preparação estava conseguindo por volta de 80-85% de acerto. Muitas pessoas conseguirão médias melhores mesmo no inicio da preparação, e isso vai depender da sua base prévia. Com essas notas nos simulados, e estando já habituado com as questões fiquei confiante para o dia da prova. Baixei na internet um documento que esta presente em diferentes chamado de CLINCHERS (presente facilmente nos grupos de facebook), que corresponde a um resumo completo de todos os pontos-chave para a prova. Com o estudo suficiente, você será capaz de passar o olho por estes pontos e reconhecer todos estes, o que já é um sinal de que você está habituado adequadamente com as questões da prova. 

Fiz a minha prova em Edinburgh, primeiro ano que a prova foi disponível nesse lugar. Por esta razão fiz a prova com somente mais 11 candidatos, muito menos que em Londres onde as salas ficam absolutamente lotadas. Dentro de uma sala no próprio GMC fizemos a prova, estando bem preparado estava demorando muito pouco tempo pra responder as questões que vinham muito parecidas com o que estava disposto no PLABable. Pulando aquelas que não sabia para responder depois, terminei a prova 50 antes do final. Tive tempo de revisar, mudar a resposta de umas 2-3 questões e finalizar a prova. Ouvi dizer que em algumas provas o conteúdo não foi tão semelhante com o banco de questões e isso varia, mas mesmo assim não existe outro material de estudo que seja comparável a este banco de questões. O Oxford Handbook of Clinical Medicine pode ser usado como material adicional, porém este ainda é muito extenso e não precisa ser estudado em detalhes. Talvez seja um livro que valha a pena comprar somente porque talvez você poderá utilizá-lp posteriormente na prática clínica. 

Algumas semanas depois recebi o resultado positivo, e portanto pude me preparar para marcar o PLAB 2. Neste meio tempo estava dando plantões para suprir todos os gastos. 

PLAB 2

MARCAÇÃO DA PROVA

O resultado do PLAB 2 é liberado para todos os candidatos ao mesmo tempo, e então se você não estiver ciente a postos para marcar o PLAB2 quando sai o resultado você pode conseguir uma data somente alguns meses depois. No meu caso alguns colegas conseguiram datas para 2 meses depois, e eu por ter demorado 1 hora a mais consegui somente para 4 meses depois em Maio. Uma vez que você marca a data do PLAB 2 você não consegue mais ver quais datas estão disponíveis, então mesmo que existam desistências você não consegue vê-las. Fiquei postando periodicamente no grupo do facebook para o PLAB2 se alguém que conseguia ver as datas via algo mais próximo, e por sorte alguém me informou que havia uma data 1 mês mais cedo do que eu havia conseguido. Prontamente cancelei a minha data e marquei a nova, mesmo sabendo que poderia perder a oportunidade neste meio tempo. 

DECISÃO SE FARIA ACADEMY OU NÃO

Na internet, 99% das recomendações dizem que a realização de uma academy para preparação para o PLAB2 é praticamente obrigatória. Considerando o preço já absurdo do PLAB2 (£860) e o preço também elevado da academy (média de £499), eu estava de alguma maneira tentando organizar para fazer a prova estudando por conta própria. Afinal, estas recomendações na internet não eram disponibilizadas por brasileiros, e eu me perguntava se a nossa experiência prática e a nossa formação um pouco mais habituada com as relações interpessoais, que corresponde ao foco do PLAB2, não seriam diferenciais para fazer a prova mesmo sem o curso. 

Falei com mais de 10 pessoas, entre brasileiros e outros estrangeiros, que já haviam feito a prova e os cursos e o que elas achavam. A maioria parecia concordar que o aprendizado técnico nas academies não é tão bom assim, sendo grande parte dos assuntos tocadas de forma muito superficial. Além disso, todos pareciam concordar que: 1. A prova foca muito mais no interpessoal e na sua habilidade de conversar com um paciente; 2. Muito mais importante que fazer uma academy é encontrar um training partner pra você praticar as estações, que será o diferencial na sua preparação e o que te trará confiança. 

Apesar disso, todos que eu conversei haviam feito a academy. Pra falar a verdade pra encontrar alguém que não tinha feito a academy tive que procurar no grupo de Facebook pelas palavras-chaves corretas, e as pessoas que não faziam os cursos eram por impedimentos absolutos: filhos em casa, impossibilidade de permanecer no país para fazer o curso, finanças insuficientes, etc. Além disso, tendo considerado não fazer a academy, tentei procurar pessoas pra praticar via Skype o quanto antes, como forma de testar se conseguiria mesmo sem a academy completar a parte mais importante da preparação que era a prática. 

Consegui praticar com alguns brasileiros que haviam feito a academy, pra entender como deveria realizar a prática de forma mais eficiente. Algo que percebi rapidamente é que o banco de estações inclue mais de 200 situações possíveis que vão desde tratamento de hipertensão a casos de doenças incomuns no dia-a-dia como neuroma acústico. Os que haviam realizado a academy estavam muito habituado com todas as situações e as nuances de cada estação, enquanto eu não fazia ideia do que deveria ser feito. Além disso, foi muito difícil conseguir marcar periodicamente com pessoas para me preparar, muito mais difícil ainda com pessoas que eu encontrei no facebook, estrangeiros de vários lugares do mundo. Com estes eu não consegui marcar nenhum dia, e não sei se isso teria dado certo uma vez que você não sabe o quanto a pessoa do outro lado sabe, e o quanto você pode estar perdendo seu tempo ensinando outra pessoa sem aprender nada. 

Portanto, eu tomei a decisão de fazer a academy, mesmo sabendo que não era a forma ideal. Até o momento não existe essa forma ideal, e não dará tempo de surgir outra até a mudança para o modelo do UKMLA que esta sendo discutido nos últimos anos. Aproveitaria a oportunidade para passar mais tempo no UK, me habituar um pouco mais com o país e com o inglês, e tirar umas férias dos meus plantões. Restrospectivamente, considerei a experiência extremamente positiva por estes motivos citados, e foi a decisão mais acertada pra mim. Já adiantando, todos os brasileiros que fizeram alguma academy (independente de qual tenha sido), apesar de não terem ficado 100% satisfeitos com nenhuma delas, tiveram resultados positivos e em alguns casos aprovação em todas as 18 estações. 

QUANTO TEMPO PARA RESERVAR ENTRE A ACADEMY E A PROVA

Quando você marca a sua prova, deve levar em consideração o tempo da academy, um tempo em que você ficara focado exclusivamente em praticar as estações após o curso até realizar a prova. Achava o período disponibilizado na internet muito longo (recomendação de 3-5 semanas), e novamente fiquei em duvida do que seria o ideal. 

Vendo a minha experiencia (tive 2 semanas e meia entre o curso e a prova) e a de outras pessoas, acredito que 2-3 semanas seja o período ideal, sendo um pouco menos ainda suficiente para realizar a prova. Realizar a prova com maior urgência como 1 semana após o curso é possível, mas eu não recomendo esta situação de forma alguma, sendo algo que com certeza lhe causará estresse maior. O volume de estações possiveis, de detalhes que você deve revisar e assuntos que você deve rever é bastante grande, e eu achei que 2 semanas era de alguma forma um período curto mas próximo ao ideal, quanto mais 1 semana. Conheci pessoas que passaram com 1 semana de prática, conheço outras que perderam. Saiba o que está dentro das suas possibilidades e tome a decisão que for melhor para si 

DECISÃO SOBRE QUAL ACADEMY FARIA

Outra decisão a ser feita era sobre qual das academies faria. A mais popular de todas era o Commons Stations do Hamed, o ASPIRE e o curso do Swammy. Não considerei o do Samson por causa da experiência negativa que eu tive com o mesmo no curso do PLAB1. Começo esse parágrafo dizendo que não existe diferença na preparação entre essas academies com relação ao conteúdo ensinado, que é praticamente o mesmo em todos os cursos, sendo o maior diferencial a metodologia. Os resultados obtidos por brasileiros que se dedicaram de forma adequada são de aprovação em quase 100% dos casos, sendo uma prioridade muito maior o seu treinamento após o curso utilizando os detalhes ensinados nos cursos, que são mais ou menos iguais. 

O curso mais popular no momento é o Common Stations do Hamed, o qual eu não tive a oportunidade de presenciar para que de fato possa opinar. Gostaria de expor somente as razões pelas quais eu decidi por não fazer este curso. Segundo o relato de outros brasileiros, além do que se encontra nos grupos de facebook, o Hamed possui um estilo de ensino um tanto quanto peculiar. As aulas são bastante extensas, não possuem horário fixo de inicio ou fim por conta de atrasos, além de que existe uma certa rigidez quanto aos momentos de intervalo durante as aulas. Este estilo de aula não daria certo comigo, e vi que não seria uma boa opção para mim. Ainda assim, o Common Station continua sendo o curso mais popular de todos, o mais antigo (o ASPIRE teve sua primeira turma há menos de 1 ou 2 anos), possuindo uma taxa de aprovação muito boa. 

Eu decidi a fazer o ASPIRE por alguns motivos. Como disse acima, por saber (de acordo com conversas com diversos brasileiros que me ajudaram muito nesse processo) que no final das contas as academies todas fornecem o mesmo material, que não é muito aprofundado e de certa forma o que interessa mesmo não é o material da academy e sim o treinamento que você faz após praticando as estações. Decidi fazer o ASPIRE, que tinha ainda o beneficio de ser 2 dias mais curto. Poderia ter conseguido um desconto de 100 pounds se tivesse anunciado no grupo do facebook, já que eles dão desconto para grupos de 5 pessoas e você pode reunir estas no grupo do ASPIRE no Facebook. De qualquer forma paguei o valor inteiro. 

Concluindo, a minha escolha foi o ASPIRE e consegui ser aprovado. Fazer o Commons Stations não mudaria o meu resultado, e é uma questão completamente pessoal. Só peço que pesquise bem sobre o estilo das duas academies, para não se frustrar quando se encontrar no meio do curso.

ASPIRE ACADEMY

As aulas no ASPIRE começavam exatamente as 09:00am diariamente em Houslow, próximo a Heathrow. Ficava a uma distância de 50 minutos de onde estava alocado no Air BnB. Cheguei um pouco atraso na maioria das aulas, mas não perdia muito do conteúdo da aula e isso não incomodava os professores. Chegava a levantar para fazer café na pequena cozinha da academy diversas vezes, e se isso incomodava os professores nunca me chamaram a atenção. Só tomava cuidado para ficar próximo a porta e não incomodar os outros alunos.

As aulas da academy se iniciam com explicação de como ocorre a prova do PLAB2, como funciona o NHS e coisas mais gerais. Posteriormente eles dão a estrutura geral que você precisa para as estações. Esta é a fase mais importante das academies, porque esses detalhes servirão para todas as aulas seguintes. Inicialmente parece muita informação ao mesmo tempo, mas com o tempo e com a prática você decora 100% dessa estrutura sem dificuldades. Vale a pena notar que a estrutura varia (muito pouco) entre as academies, e nenhuma delas está absolutamente correta. No entanto recomendo confiar na academy que você escolheu e seguir o método proposto, que você terá sucesso sem nenhuma dúvida. O restante das aulas segue a mesma estrutura, divididas em especialidades. 

Não gostaria de entrar em mais detalhes por que o GMC especifica claramente que compartilhar informações especificas sobre a prova pode significar em consequências com o registro, e mesmo que em português hoje em dia uma simples busca no google tradutor de um site publicado na internet pode demonstrar que estou fornecendo informações indevidas. 

De qualquer forma, acho importante notar que no começo do curso estava inseguro de que entenderia como a prova funcionaria e se conseguiria fazer a prova com confiança. A academy fornece mocks que são simulados no formato da prova, e estes são essenciais para te deixar acostumado com o formato da prova, observar onde você comumente erra. Importante notar que o Feedback que você recebe nestes simulados são de pessoas que recentemente realizaram a prova, e então embora eles não estejam sempre corretos eles fizeram a prova e conhecem as nuances assim como você deverá conhecer para fazer a sua prova. Ao final dos mocks é possível que você ainda se sinta mais inseguro tendo em vista o reconhecimento de que a prova encontra-se ainda mais perto e que o resto só depende de você, mas é na prática em casa que você irá realmente aprender tudo que você precisa. 

O QUE EU FAZIA DURANTE A ACADEMY

Durante a academy eu prestava atenção as aulas e fazia anotações dos detalhes de cada estação que são passados ao longo dos 12 dias, e não somente em um dia especifico. Portanto é importante manter notas destes detalhes, pois no final talvez eles façam mais sentido para você que no começo do curso quando você ainda está se habituando com a prova. Eu utilizei um iPAD com um teclado bluetooth, dessa forma eu conseguia anotar bastante coisas (possui ainda estas anotações e estou disposto a compartilhar com aqueles que entrarem em contato comigo via e-mail). 

Diariamente também os professores chamam pessoas para praticar as estações na frente dos outros alunos, onde você será o médico e o professor geralmente é o ator/paciente. No começo ninguém da academy sabe muito como fazer, e por isso muitas pessoas desperdiçam essa oportunidade de já começar a treinar. Devo dizer que outras pessoas encontram-se no extremo oposto, querendo treinar em todas as oportunidades sem deixar oportunidade para os outros alunos e isso termina sendo um pouco egoísta. Eu escolhi pelo meio termo, e de início só observava e tomava notas. De qualquer forma assim que possível é interessante você começar a praticar na frente dos outros, dessa forma você irá expor para si mesmo onde você deve focar o seu estudo e abrirá oportunidade para dezenas de pessoas fazerem comentários sobre a sua performance sobre coisas que você talvez não tenha observado. Nem sempre estes comentários estarão corretos, mas faz parte porque ninguém tem o gabarito absoluto de como deve ser feito (nem você). 

Para mim as práticas na frente da turma ocorreram da seguinte forma: 1. Na primeira ocasião eu me prontifiquei a realizar as estações na segunda ou terceira aula. Fiz a estação na frente de todo mundo e o professor/paciente simplesmente não cooperava de jeito nenhum, mesmo seguindo os passos adequados (isso é um sinal em 80-90% dos casos que você não está prestando atenção a algum detalhe importante). No final ele me chamou a atenção de que eu não estava sendo empático o suficiente. Isso me surpreendeu e causou certa frustração porque sempre imaginei que a parte do interpessoal skills não seria um problema pra mim (ou pra qualquer brasileiro). Fiquei um pouco frustrado e chateado, não recebi qualquer parabenização por parte dos colegas e segui o barco. Percebi que realmente existem algumas formas de aumentar o rapport com o seu paciente e foquei nisso dali pra frente. 2. Na segunda ocasião fiz a estação durante a aula do professor Aman Arora, que é um dos melhores professores hoje em dia para o PLAB2. Dessa vez fiz um esforço grande para melhorar a parte do interpessoal skils, mas caí no mesmo erro e esqueci de notar um detalhe importante (fornecer analgesia para o paciente antes de começar a anamnese de fato, já que o paciente estava com fascies de dor desde o começo). Novamente, não recebi um Feedback legal. 

Estas duas experiências negativas de certa forma me deixaram bastante apreensivo se conseguiria realizar a prova bem, já que parecia que eu não conseguia acertar uma mesmo que acreditasse que estava fazendo tudo correto. Acontece que todos se sentem assim, e é importante deixar de lado um pouco o medo de continuar praticando e de entender que até que você pratique bastante você não irá sempre acertar. O problema é que eu não estava acertando nenhuma ainda. 

Durante a aula do Arora eu percebi que ele conduzia as estações enquanto ele demonstrava com ator para a turma de forma muito peculiar aos demais. Ele tinha uma forma muito mais flexível e pessoal de levar as questões, utilizando um vocabulário mais casual e menos fixado, sempre refletindo e acrescentando alguma coisa sobre o que ator falava, sempre inclua a parte pessoal na história. De qualquer forma, a naturalidade em levar as estações era o que ele mais enfatizava, e decidi em tentar emular essa forma posteriormente. Na terceira ocasião em que fiz as estações para o pessoal tentei “imitar” a forma com que o Arora fez e recebi um Feedback muito bom do professor e dos colegas, sem entrar em maiores detalhes. Decidi focar então nesse método, sem esquecer todos os detalhes importantes no que se referia a parte teórica de cada assunto e estação. 

Após a academy as pessoas costumam se reunir pessoalmente ou no Skype para treinar. O treinamento inclui role-playing onde um trabalha como ator e outro como o médico, e ao final os dois avaliam se as partes necessárias foram checadas, e se as especificidades daquela estação foram lembradas (tenho um documento feito por mim com os detalhes de cada estação, se houver algum interessado pode entrar em contato via e-mail). É possível ao longo de 2 semanas repassar sobre todas as estações. Isso dá uma confiança absurda, e é o que você precisa pra prova. Por isso durante a academy é importante não somente prestar atenção nas aulas e tomar nota dos detalhes mais importantes (detalhes que sempre podem ser encontrados na internet, mas seria muito difícil reuni-los e por isso a academy se torna valiosa), mas o essencial mesmo é durante o tempo identificar algumas pessoas que possam ser seu parceiro de estudo após a academy. Isso é muito valioso, porque se você passar o curso inteiro sem buscar isso, os grupos irão se organizar e você não fará parte de nenhum deles. 

TREINAMENTO APÓS A ACADEMY

Tive que ficar em outra cidade após a academy e por isso não consegui realizar a pratica pessoalmente como outras pessoas. Encontrei uma colega indiana que estudava e praticava de forma parecida comigo (diga-se de passagem ela se interessou em praticar comigo por conta da forma com que fiz a terceira estação, por isso de certa forma praticar na frente da turma serve pra isso também) e marcamos de treinar posteriormente via skype. 

Por skype nós passávamos pelas estações, revezando quem seria médico e paciente. Ao longo de 2 semanas, em por volta de 8-10 encontros, conseguimos ver a maioria das estações. Algumas estações são repetitivas, portanto a prática é mais importante para revisar alguns detalhes e não somente para aprender. Essas requerem menos discussão. Outras são bastante únicas, e geralmente indica necessidade de maior discussão e que você tome alguma nota após praticar. Essas notas podem ser importantes para que você revise antes de fazer a prova. Como disse anteriormente, tenho algumas dessas notas disponíveis para aqueles que me procurarem por e-mail. 

PROVA

Terminado o treinamento para o PLAB2, programei a minha viagem para Manchester. Me certifiquei de que sabia onde seria a prova, e tentei dormir o mais cedo possível na noite anterior. Chegando no local pela manhã um pouco mais cedo, fui aos poucos esperando o resto das pessoas chegarem. Após liberada a subida, você é levado até uma sala de espera onde você fará o ID check (que antes deveria ser feito em uma ocasião separada) e espera por volta de 1 hora até o inicio da prova. 

Neste momento a maior parte dos candidatos esta preocupado em não ficar muito nervoso para realizar a prova e era exatamente assim que eu estava pensando. Na realidade fiquei por boa parte do tempo ouvindo música e para a minha surpresa nem um pouco nervoso, o que achei que me garantiria muito da prova. A verdade é que não interessa muito isso, porque invariavelmente no início da prova você irá apresenta algum grau de nervosismo, e não adianta tentar evitá-lo, por mais que você tente será difícil não manter um certo nível de receio e se frustar talvez com a incapacidade de manter a calma 100% naquele momento. É mais importante estar focado no que você praticou, relembrar talvez os pontos mais característicos e fazer a prova. 

A prova se inicia e você é posicionado em uma sala, e irá passando para as demais estações de acordo com os intervalos. São 8 minutos para cada estação e 2 minutos para ler cada estação. Estes dois minutos são extremamente importantes, onde você irá construir sua prática, organizar os pontos-chave daquela estação. Os atores são muito bem preparados, em geral eles te ajudam, e estão bem habituados com os casos e com os pequenos detalhes que eles devem elaborar caso você toque em algum ponto importante. O examinador mantem-se na sala e interage com você sempre que necessário, para mostrar algum achado de exame, foto, ou fazer algum questionamento diretamente a você ou orientação. 

É importante durante a prova tentar ignorar um pouco a sensação de que a(s) última(s) estações que você acabou de fazer foram boas ou ruins. Algumas pessoas no meio da prova acreditam que já passaram com toda certeza, outras acreditam que não tem mais como conseguir a nota necessária porque já perdeu em pelo menos 7 (você só pode “falhar”, ter uma nota menor do que a média dos candidatos daquele dia, em 7 das 18 estações). Eu não vejo como nenhuma destas duas perspectivas podem ser benéficas. No meu caso, eu tentei fazer a prova da forma mais neutra possível, levando uma estação por vez. Quando sai da prova, eu tentei contar se estava confiante que havia passado em pelo menos 11 estações, garantindo com alguma segurança que passaria na prova. A verdade é que não tinha essa resposta nem para 10 estações. Naqueles dias eu tinha convicção que perder ou passar na prova tinham mais ou menos a mesma porcentagem de chance. 

A média de cada estação é feita com a média aritmética de todos os candidatos que fizeram a prova naquele dia. Se você tirar uma nota maior que a média, você passou naquela determinada estação. Você precisa passar em pelo menos 11 estações para passar na prova do PLAB2, não importando qual foi a sua nota final somente se você passou neste mínimo determinado. Não vejo necessidade em compartilhar a minha nota exata, mas garanto que fui muito melhor do que eu acreditei que havia ido e consegui ser aprovado na primeira tentativa (acho que a taxa de sucesso na prova é de quase 80%. Não existe uma estatística para brasileiros, mas esta deve estar em 95%). Ao sair da prova você terá um viés de que não foi tão bem assim porque estará cego quanto ao Feedback que receberá, e a verdade é que em geral as médias para passar não são tão altas assim. Neste momento a maioria das pessoas se convence do que disse acima, que não são as academies que fazem a diferença e que o que mais importa é o seu estudo, principalmente no que se refere a prática da questão interpessoal. 

Após o PLAB 2..

Conseguindo a aprovação para o PLAB2 você se torna apto para aplicar para os empregos. A aplicação é feita via internet através dos sites do NHS jobs. Para não transformar esta postagem em uma página muito longa irei reservar este assunto para outra página.

Não se esqueça de se registrar para receber posteriormente as novas postagens. Em caso de qualquer feedback referente a qualquer conteúdo desse site estou disponível por e-mail a todos. Grande abraço!

Um comentário em “Minha experiência do IELTS ao PLAB 2

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.